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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

humilhação como prática BDSM

Há 3 meses seguidos que venho pensando no assunto HUMILHAÇÃO 
Eu já havia pensando nisso em outras ocasiões nos últimos 2 anos, mas não com tanta constância, não com tanto afinco, não com tanta necessidade de compreender para poder enfrentar como agora.
Foi apenas ao me debruçar 100% sobre o assunto que pude então perceber a dificuldade de verbalizá-lo para mim mesma. Tão complexo mas tão complexo é para mim que não consigo elaborar uma definição objetiva para essa prática, tudo é subjetividade e relatividade quando o assunto em pauta é a humilhação. O estudo da humilhação coloca fundamentalmente a questão da relação entre os fatos e os sentimentos: como abordar, estudar, qualificar os sentimentos? Os sentimentos constituem-s em objetos paradoxais precisamente porque se inserem na interioridade, na intimidade mais profunda, no caráter instável e fugaz dos não-ditos ignorados ou recalcados e, no entanto, demandam forma e expressão para serem apreendidos. Ora,quais as formas e relações pelas quais eles se exprimem? Quais processos os sustentam?Que condições e situações sociais provocam a humilhação?Penso que uma das funções da humilhação é literalmente o ato de ser tornada mais humilde, ou diminuída de posição ou prestígio. Todavia, o termo tem muito mais em comum com a emoção da vergonha. A humilhação não é geralmente uma experiência agradável, visto que diminui o ego. Mas sei de muitas pessoas que gostam e sentem um verdadeiro tesão em ser humilhadas ou em humilhar.
Comecei pensando no global. No todo.Penso que todas as práticas BDSM possuem um componente de humilhação da submissa. Um spanking possui, ser bondageada, “largada” numa posição X em um canto por determinado período de tempo que pode variar de minutos a horas também possui. Dog woman, scats, inspeções, fistings, enfim, as práticas possuem maior ou menor grau de humilhação embutida dependendo dos parceiros, do modo como as vêem. Aí entra a individualidade não é? As pessoas suportarão mais ou menos a prática X com base em n elevado a n exponencial fatores envolvidos e não apenas a humilhação em si.
Há práticas como por exemplo golden shower que muitas pessoas consideram absolutamente humilhantes, degradantes, impossíveis de serem vivenciadas, mas que dentro de um contexto específico me dá tesão e eu penso que assim funcione com todas as pessoas nas mais diversas práticas.
Mas fora a humilhação que vem acompanhando as práticas X, Y ou Z há a humilhação pura, 100% pura, uma delas é a humilhação grosseira pura e simples – comporta grosserias variadas, xingamentos, gritos, escarnecimentos diretos, ironias assim, na lata! O Dominador escarnece, zomba e ironiza a submissa aos berros ou não, em público ou não. É bom para quem gosta e encontra o parceiro correto, como tudo em se tratando de BDSM.
Outro tipo é uma humilhação sutil, velada difícil de ser definida, explicada é mais complexa e subjetiva que a anterior. É para mim a mais difícil de lidar e a mais prejudicial. É a que mais me apavora. Ela está num gesto, num olhar, numa frase dita ou não dita, no subentendido, numa vírgula, no desdém, na indiferença, no ignorar a existência da submissa, no fazer com que a submissa se sinta uma inutilidade, o que provoca um sentimento de isolamento, de abandono e impotência, exclusão e humilhação radical, no usar o gatilho emocional que apenas o Dominador conhece, aquele que ele sabe ser o mais dolorido para aquele serzinho que por conta disso se sentirá o mais desprezível da face da Terra, um ser sem eira nem beira, sem chão… vivenciando naquele momento e por tempo indeterminado com lágrimas ora silenciosas, ora invisíveis, muitas vezes escondidas, o único jogo BDSM que não possui uma safeword.
É, aí está, não há palavra de salvação para esse jogo.
Não há safe capaz de abortar todo o processo auto-comiserativo, o processo de emoção e vergonha instalado no íntimo, nas entranhas da submissa.
Humilhação não é como um spanking que “dói por fora”, na superfície da pele; humilhação dói por dentro e dói em profundidade, dói num local onde o Dominador não é capaz de enxergar os vergões, o preto, o sangue escorrendo.
Usando ainda a mesma comparação, humilhação não é como spanking que pelo som emitido de dor, pela respiração, expressão facial, etc o Dominador atento supõe o quanto a submissa ainda suporta e aumenta ou diminui ou pára de vez… na humilhação não há esses sinais. E o que dizer das dores e “silêncios” aparentes da humilhação? O que dizer de suas implicações, efeitos e significações nas estruturas de dominação e na emergência dos conflitos? Eu particularmente quanto mais humilhada mais me esforço em não demonstrar… e mesmo que eu engula meu orgulho e aprenda a demonstrar, o “estrago” nunca será exposto ou visto em sua totalidade. O sentimento de humilhação que visa essencialmente a rebaixar e mesmo aviltar o outro física e moralmente pode provocar, de forma aberta ou camuflada, efeitos de enclausuramento em si mesmo, de alienação e recalque profundos, ameaçando a integridade física e psíquica de um indivíduo ou grupo social. A humilhação ou as humilhações são, muito vezes, o resultado de um acúmulo de elementos e fenômenos aparentemente insignificantes e cotidianos, de sua repetição ao longo do tempo, ou, ao contrário, decorrem de uma experiência singular de tipo traumático? Ou os dois fatores combinam-se e entrecruzam-se?
Que me resta… vou continuar pensando, pensando, tentando compreender minhas reações pra poder enfrentar o que me aguarda.
Que venha.

3 comentários:

  1. bom dia Sr,

    parabéns por escolher um texto tão enriquecedor e coeso, no entanto gostaria de saber sua referência, pois ao ler tive a impressao que se trata de uma visão feminina do assunto.

    sempre impecável na escolha das melodias!!

    Saudações respeitosas
    {ternura}_L.B.

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  2. Realmente um assunto complexo e delicado. Acredito que esta seja uma das práticas mais perigosas com dois lados, pode ser extremamente prazeiroso e altamente nefasto no que diz respeito a integridade pasicológica do humilhado.
    Creio que há de se pensar, estudar muito para que haja prazer para ambos os lados.
    Parabéns pela escolha do tema, sempre muito enriquecedor para todos: DOMINADORES e submissas.
    Saudações SR
    yaffa de LEON

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  3. BOM DIA TERNURINHA,E YAFFFA
    REALMENTE VOCE TEM RAZÃO, ESTA É UMA VISÃO FEMININA DO ASSUNTO. QUER UMA VISÃO MELHOR, MAIS COMPLETA E MAIS HONESTA DO QUE A VISÃO FEMININA? NÃO EXISTE. POREM, HÁ DE SE RESSALTAR, CONFORME DIZ NO POST, TEXTO, FORA DO CONTEXTO, VIRA PRETEXTO. RESUMINDO, TUDO TEM SUA RAZÃO, SEU LOCAL, O MOMENTO E PRINCIPALMENTE A PESSOA CERTA PARA QUE SE ALCANCE OS RESULTADOS ESPERADOS. CADA DOM, TEM UMA MANEIRA PECULIAR DE APLICAR SEUS MÉTODOS. ISSO, É INDISCUTÍVEL. MAS, TEM QUE SABER EXATAMENTE, ONDE ATINGIR SUA CADELA, SEM QUE ISSO TRAGA PREJUIZOS IRRECUPERÁVEIS NO QUE TOCA SUA SAUDE FÍSICA, PSICOLÓGICA E EXISTÊNCIAL. POR ISSO QUE REFORÇO SEMPRE EM MEU BLOG, A MANEIRA QUE EU ESCOLHO A AVALIAÇÃO DE MINHAS SUBS. GOSTO E PRECISO MUITO CONHECE-LA, ANTES DE APLICAR QUALQUER TIPO DE AÇÃO. PRECISO DA CERTEZA ABSOLUTA, QUE VAMOS COLHER JUNTOS OS LOUROS DESTA RELAÇÃO.

    BJS CARINHOSOS, DOMINADORES E SÁDICOS A VOCES.

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